Disruptores hormonais, saúde e obesidade - Tamara Mazaracki

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Disruptores hormonais, saúde e obesidade

Disruptores hormonais (ou xenoestrogênios) são substâncias químicas que causam alterações no sistema endócrino humano e na produção de hormônios, ou seja, eles agem modificando a forma como nossas glândulas deveriam funcionar. Segundo a American Chemical Society existem sessenta milhões de substâncias químicas registradas (dados de 2011). Então, são centenas de milhares de compostos químicos com ação de interferência hormonal, como plásticos diversos (bisfenol-A, estirenos, hidrocarbonetos), derivados petroquímicos, organohalogenados (contendo moléculas de cloro ou bromo, como dioxinas, policlorados, DDT), metais pesados (chumbo, cádmio, mercúrio), e eles são usados em quantidades astronômicas em nossas lavouras, em utensílios domésticos, no processamento industrial, como conservantes, como retardantes de combustão, em produtos de limpeza e de higiene pessoal, ou seja, estamos rodeados por um mar de química, com consequencias muito graves. Organoclorados são compostos químicos que contem cloro, solúveis em gordura, resistentes à degradação, e ficam armazenados por muito tempo no tecido adiposo (células de gordura) de qualquer organismo vivo do planeta, incluindo nós, os seres humanos. O acúmulo destes compostos no corpo está relacionado a inúmeras doenças, como câncer, alterações hormonais, hipotireoidismo, baixa de imunidade e obesidade. Em um estudo feito no Canadá e publicado na revista Obesity Research em 2003, foi constatado que indivíduos obesos têm uma concentração sanguínea de organoclorados muito maior do que indivíduos magros. Quando se faz uma dieta e o percentual de gordura diminui, o organoclorado fica solto, cai na corrente sanguínea e o nível circulante aumenta ainda mais, causando efeitos como redução do hormônio T3 (o mais ativo hormônio da tireóide), redução da taxa metabólica (o metabolismo fica mais lento), e a queima de gordura através da oxidação também fica prejudicada. Ou seja, se emagrecer já é difícil, com a ajuda dos organoclorados fica mais complicado ainda, e talvez por isso a taxa de obesidade esteja crescendo no mundo inteiro. Em um estudo coreano publicado em 2009 no PubMed, os cientistas deixaram clara a relação entre a atrazina (um herbicida organoclorado) e a obesidade. Este composto causa disfunção nas mitocôndrias (nossas usinas de energia e presentes em todas as células do corpo), aumenta a resistência insulínica (fator crucial no ganho de peso e na ocorrência de diabetes), reduz a taxa metabólica, e é um disruptor hormonal, contribuindo para a formação de câncer. 

A atrazina foi criada por uma empresa com sede na Suíça, a Syngenta, com controle global sobre agrotóxicos – ela detem um quinto do mercado mundial de agroquímicos. 

A atrazina está proibida na Suíça e em toda Europa desde 2004, devido a preocupações com a contaminação da água e seus efeitos adversos sobre a saúde humana, mas continua sendo usada no Brasil. 
Aliás, o Brasil encontra-se entre os dez maiores consumidores de agrotóxicos no mundo, com cerca de 250 ingredientes registrados no Instituto Brasileiro de Meio Ambiente. Apesar da legislação restritiva ao uso de produtos organoclorados, o consumo de agrotóxicos triplicou nos últimos 15 anos e continua crescendo. O Brasil ocupa posição de destaque mundial no uso de pesticidas, sendo que o consumo de herbicidas corresponde a quase metade do volume total de vendas – nós usamos a metade do que é produzido no mundo!!! A atrazina é um herbicida muito utilizado no controle de ervas daninhas na cultura do milho, cana-de-açúcar, sorgo, café, cacau, banana, chá e abacaxi. É vendida com vários nomes por várias empresas – encontrei 31 marcas registradas pela ANVISA. 

A presença generalizada da atrazina no meio ambiente constitui um sério risco para os seres humanos, fauna e ecossistemas. Além da água que sai da nossa torneira, e dos vegetais que compramos nas feiras e supermercados, também os peixes de rios e lagos são expostos à atrazina, como a tilápia, truta, carpa e outros. A atrazina é um potente disruptor endócrino, interferindo na atividade hormonal de animais e seres humanos, mesmo em doses extremamente baixas – uma exposição menor que 0,1 partes por bilhão pode causar efeitos graves na saúde, incluindo castração química, pois age no sistema reprodutivo humano, diminui a contagem de espermatozóides e aumenta as taxas de infertilidade. 

A atrazina tem sido associada ao elevado risco de ocorrência de vários tipos de câncer, como de mama, de próstata, leucemia e linfoma. Pesquisas com a atrazina demonstram a ocorrência de defeitos congênitos como fissura palatina, espinha bífida e síndrome de Down. Estudos epidemiológicos indicam que mesmo níveis muito baixos de exposição através da água contaminada durante a gravidez pode interferir no desenvolvimento do feto.

Um estudo publicado em 2010 pela Proceedings of the National Academy of Sciences revelou que este composto pode mudar o sexo de rãs!!? Segundo os pesquisadores da Universidade da Califórnia, as rãs macho expostas ao pesticida sofreram redução de testosterona, diminuição do tamanho das glândulas reprodutoras, desenvolvimento feminizado da laringe, redução da produção de espermatozóides e queda na fertilidade. Em 10% das rãs estudadas, houve uma mudança completa de sexo após a exposição à atrazina, tornando-as capazes de se relacionar com outros machos e a produzir ovos viáveis. 

O problema dos organoclorados é muito maior do que se imagina. Substâncias tóxicas como o bisfenol-A, dioxina, PCBs, poliestireno (plásticos), fazem parte do nosso menu diário, entrando em nosso corpo pela boca, pelos pulmões ou pela pele. Nós ingerimos, inalamos e absorvemos toda esta química. Seu filtro solar, o batom, o detergente, mamadeiras e embalagens de água mineral, o copinho plástico do cafezinho, latas de refrigerante, o revestimento do seu carro, o travesseiro em que você dorme, o carpete, as roupas que vem da lavanderia – a lista é interminável. Estudos realizados no Brasil detectaram a presença de agrotóxicos no leite materno! 

Os disruptores endócrinos estão contribuindo para nos engordar e nos deixar doentes: obesidade, câncer, doenças cardíacas, diabetes, hipotireoidismo, problemas reprodutivos, puberdade precoce, defeitos congênitos e muito mais. É impossível fugir deles e muito fácil se afogar neste oceano químico. Elimine todos os plásticos possíveis, jamais guarde alimentos quentes em embalagens plásticas, prefira as de vidro ou ágata. Nunca permita que o plástico fino de PVC encoste na sua comida. Cafezinho só em xícara ou caneca de cerâmica, evite os copinhos de plástico ou isopor. Coma orgânicos sempre que possível. Compre cosméticos livres de parabenos. Os filtros solares devem ser usados com parcimônia, e não exagere no FPS – quanto mais alto o fator de proteção mais química é necessária – para uso diário escolha um FPS 15 ou 20, deixe o FPS 60 para os dias de praia.

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